Disco do RadioHead: você decide o preço
Já se sabia desde há já algum tempo que o novo álbum dos Radiohead deveria ser lançado dentro em breve. A grande incógnita que persistia era saber como é que eles iriam publicar o disco, uma vez que o seu contrato com a EMI terminou em 2005.
Depois de alguns falsos boatos – entre os quais um site - www.radioheadlp7.com – indicando supostamente quanto tempo faltava para a hora do lançamento, que depois veio a revelar-se ser um hoax -, ao final da noite de ontem começou a circular pela Rede um link para um outro site anunciando que o novo álbum, de nome In Rainbows, estaria disponível em formato de download digital já a partir de 10 de Outubro exclusivamente a partir daquele endereço. Para acabar com todas as dúvidas, Jonny Greenwood confirmou a informação no blog da banda. O preço? O fã é que decide quanto está disposto a pagar (para além de uns míseros 45 pences de libra – cerca de 65 cêntimos de euro – para despesas com o cartão de crédito). Mas os verdadeiros apaixonados pelos Radiohead poderão demonstrar a sua devoção à banda se esperarem até ao dia 3 de Dezembro para receberem em casa a versão física do disco em formato discbox que inclui o CD e um disco em vinil com as mesmas dez faixas do download digital, mais um segundo CD e vinil que inclui outras oito faixas adicionais. Tudo isto e mais fotografias, imagens adicionais e letras em troca de 40 libras – já com despesas de envio -, o que corresponde a cerca de 57 euros. Para além destes brindes todos, o pacote dá direito a descarregar a versão digital já a 10 de Outubro. Quem quiser pode já hoje fazer a pré-encomenda.
Tendo em conta o arrojo da iniciativa, é pouco provável que os ficheiros contenham qualquer tipo de restrições tecnológicas como DRM ou marca de água digital, uma vez que tal seria contraproducente com a mensagem “No really. It’s up to you” deixada pela banda em jeito de brincadeira no site. É só pena que o sistema de comércio electrónico desenvolvido pela Waste Products Ltd não seja tão eficiente como o do iTunes e da Amazon, como se pode ler pelo exemplo de Glenn Peoples no Coolfer. Para além da navegação ser bastante lenta, todo o processo de realização da encomenda é moroso, complicado e gera alguns erros.
Com esta jogada, os Radiohead revelam mais uma vez entenderem completamente as tendências não só as tendências da cultura musical urbana mas também do negócio da música e das transformações que a tecnologia tem provocado nos últimos anos neste sector. É certo que nem todas as bandas possuem uma comunidade de fãs tão vasta e zelosa como o grupo britânico de modo a compensar o dinheiro perdido devido à descida das vendas de CDs com os bilhetes dos concertos, mas esta decisão abre um precedente para toda uma série de superestrelas que poderão também elas compreender que já não dependem das grandes companhias discográficas para se manterem no cimo da onda.
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