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eita pancada
“minha querida recife, pequena porém decente” – Erasto
é, já voltei pra casa, passei 5 dias em Salvador… e foi excelente!
fui rever meus amigos, Tininha, Akin e Balbino e dar continuidade as pesquisas, investigações de processos focado no desenvolvimento de tocadas coletivas e construção de instalações/performances artísticas junto com meu bloger Balbino.
Passamos 5 dias organizando um set que tinhamos modelado aqui em casa apenas em conversas e pensamentos. Além disso, pensamos nos conteúdos, o que tocar nessas interfaces, qual o tema dessa tocada? Caos? Gambiarra? Fomos no centro de Salvador pra registrar alguma coisa naquel calor brutal, mas vimos que tínhamos imagens melhores lá no Nordeste da Amaralina e o calor tava demais pra Akin. Lá no Nordeste tinha várias imagens, cachorro na laje, caos na rua, cidadãos comuns…
Agora vou escrever os passos que rolaram no dia-a-dia por lá:
Primeiro montamos o Toposcópio – Eletroacupuntura, ligamos ele no PureData via Arduino e deixamos ele no estado em que tínhamos deixado por aqui, tocando soundfonts com os potenciômetros. Estudamos outras possibilidades de tocadas com ele, até fizemos uma nova versão que cada sample toca independente e desliga todos os outros, bem louco mas ainda precisando ser melhorado. Depois disso nos dividimos: eu fui cuidar de fazer um patch pra fazer um sintetizador /controlador de soundfonts numa webcam e Balbino foi fazer o patch radiolaVJ, pra controlar efeitos do PDP pela radiola, fazendo scratchs e tal…
Depois de uns 2, 3 dias de pesquisa, leitura, conversas, conseguimos aprontar os patches e partir mais pra fechar o conteúdo a ser disparado e relacionado com os instrumentos.
E como sempre, sem nenhuma pressa ou pressão, eu sentei no meu lap, balbino sentou no dele, passamos alguns minutos em silêncio produzindo e saiu um soundfont legal e um set de vinil muito bom pra controlar os efeitos.
Então já viu, é a hora do caos!
baixo, laptops, pickups, vinil, webcam, arduino, toposcópio, mixer, pdp, pd, software livre, camara de eco, microfone, lata, bonk, fiddle…
eita noise! dubwise!
ainda filmamos uns depoimentos (eu fiquei meio louco na hora e falei meio nada com nada… vai ver é ainda aquele receio matuto de câmera na frente… a vergonha ainda existe!) e também filmamos umas tocadas, a idéia é fazer um video apresentando essas pesquisas.
ta lindo demais!
gloria
relato submidiático – instalações interativas
Várias pessoas, de vários lugares, sentindo a necessidade de se (des)encontrar, para estudar, subverter, vivenciar a arte, culturar, estudar, estudar o meio, os outros. O Submidialogia 3 foi um verdadeiro choque-elétrico, subversivo e anárquico. Vivência de construção de famílias, desenvolvendo situações, ambientes e vidas coletivamente.
Os desenvolvimentos de ambientes interativos proposto no Submidialogia 3 aconteceram em alguns momentos do festival. O primeiro foi no segundo dia, no Mercado Central, onde circulam pessoas, crianças, adultos, comerciantes, turistas. O local é muito bonito, é o local onde acontecem eventos na cidade, onde as pessoas se encontram, trocam idéias. A intervenção foi uma construção de um ambiente jazzistico que tocava aleatoriamente instrumentos digitais, compondo músicas experimentais aproveitando que o local propiciava um ambiente livre e musical. As pessoas que estavam circulando pelo mercado estavam manipulando uma bateria eletrônica e um sintetizador através de captura de imagens, via webcam. Algumas crianças que estavam passando pelo local, perceberam que seus movimentos estavam influenciando na construção da música e começaram a fazer movimentos, como uma dança experimental e entraram em sitonia com a máquina. O ponto interessante na construção da ferramenta foram as crianças. Elas têm uma velocidade de percepção enorme, muito maior do que as pessoas conceituam. A sensibilidade, sempre em experiências, foi notória no desenvolvimento dos artefatos. Na parte técnica, foram usados um notebook, um teclado controlador, arduinos (hardware livre) e os softwares: Jack, Pure Data, Hydrogen, ZynaddSubFX, todos softwares livres, construídos colaborativamente.
Um segundo momento aconteceu na Avante projeto social da cidade de Lençóis. Foi montada uma instalação onde, através do uso da luz de velas, as pessoas pintavam, grafitavam, desenhavam num quadro digital, como um apontador lase artesanal ou um lasertag. O processo de construção da instalação foi improvisado pois a idéia era nos adequar com o os objetos do ambiente. Percebemos que as velas que estavam iluminando o espaço poderia ser nosso apontador, capturamos a cor da luz da vela, utilizando o Pure Data e depois, usando uma webcam, capturamos os movimentos da vela e construimos uma ferramenta no Processing que risca em tempo real os movimentos da vela. Novamente foi notória a participação das crianças, desde a compreensão da construção, como no manuseio da ferramenta, no qual nem precisou explicar seu funcionamento. A ferramenta foi uma prova de conceito de que é possível construir objetos que interagem com pessoas, objetos de um ambiente, da natureza. Essa conversa entre bits e átomos foi muito proveitosa durante as instalações.
Essa vivência de construção de ambientes que interagem com objetos orgânicos e não-orgânicos e o processo de desenvolvimento da ferramenta, encurta as relações entre o homem, a máquina e a arte, propiciando uma sinergia na construção de artefatos tecno-culturais. Essa mistura de hackers, artístas, pessoas, atores, público, objetos, aproxima o estado da natureza artística das pessoas, favorecendo construções coletivas, fundindo idéias e conflitando métodos.
“As características do hacker e do trabalhador cultural devem se fundir e desse modo formar uma ligação abrindo possibilidades de ações por todo aspecto social.”
Critical Art Ensemble


